Desafios atuais no campo missionário

Há mais de 2.000 anos a igreja de Jesus Cristo foi chamada para estar com o Senhor em sua Missão (Missio Dei), isso inicialmente com o pequeno grupo de discípulos, com homens e mulheres simples e que decidiram seguir os passos de nosso mestre. Sobre isso alguém certa vez imaginou a seguinte cena: Jesus chegando ao céu compartilhou com anjos como teria sido o tempo na terra. O Senhor respondeu que estava cumprida a tarefa e que agora seus seguidores continuariam. Os anjos, empolgados, perguntaram quantos eram os seguidores e quando ouviram do Senhor que eram apenas doze discípulos (e que um deles o havia traído) ficaram preocupados. É claro que isto é um conto, mas falando sério, sério mesmo, você não se empolga ao ler Atos dos Apóstolos e ver como estes discípulos obedeceram ao chamado do nosso Senhor? Eles foram cheios do Espírito Santo e as Boas Novas alcançaram milhares de pessoas! É verdade que muitas vezes eles não sabiam como fazer, eram incapazes, foram perseguidos, mas Deus esteve sempre com eles, derramou sabedoria, instruiu e o nome de Jesus foi glorificado por onde eles foram enviados ao ponto de serem chamados cristãos (At. 11:26), — CHRISTIANOUS (grego), aqueles que são como o Cristo, ou, os pequenos cristos.

Como família estamos desde o ano 2000 trabalhando como missionários, vivendo e servindo em contextos de pouquíssima presença cristã onde inclusive a pregação do Evangelho é um crime, mas sempre podemos encontrar Deus presente ali manifestando sua graça para salvação. Pensando no período que estamos vivendo, queremos apontar 3 desafios atuais no campo missionário.


O DESAFIO DE PAÍSES FECHADOS PARA O EVANGELHO — Se missões é uma prioridade da igreja, missões aos que nunca ouviram o Evangelho deve ser a prioridade das prioridades (Rom. 15:20). Há milhares de pessoas que vivem em países fechados ao Evangelho, onde o trabalho missionário é um crime, onde cristãos são perseguidos. No Norte da África (Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Mauritânia e Tunísia) há mais de 200 milhões de pessoas e a grande maioria é muçulmana, nestes países pregar o Evangelho é um crime podendo as autoridades locais julgarem, expulsarem ou até prenderem.


O DESAFIO DE NOVOS OBREIROS — O Senhor Jesus disse aos seus discípulos que deveríamos orar por mais trabalhadores para a seara (Mat. 9:38). Precisamos fazer isto mais do que nunca para que como igreja sigamos anunciando as Boas Novas e preparando a volta do Senhor (Mat. 24:14). No Norte da África, uma região tão extensa, há pouca presença missionária brasileira, em número aproximado são menos de 30 obreiros! Um exemplo é na Argélia onde há mais de 20 anos, aproximadamente, não se têm informação de nenhum missionário brasileiro. Outro fator muito comum nesta região é a saída prematura dos obreiros por diferentes motivos (expulsão pelas autoridades locais e queda no apoio financeiro desde o Brasil, são alguns exemplos).


O DESAFIO DA DIÁSPORA — O movimento migratório está acontecendo de forma frenética ao redor do mundo. Guerras, ditaduras, perseguições e busca de uma forma melhor de vida têm movido pessoas de diferentes partes da África, Oriente Médio e Ásia para outros continentes. Na Europa a Espanha se tornou o país que mais recebe refugiados, diariamente pequenas embarcações são resgatadas no estreito do Mar Mediterrâneo (cruzando desde o Marrocos com destino à Espanha ou desde Líbia com destino à Itália), outra rota é através do Oceano Atlântico onde tentam chegar até as Ilhas Canárias. Infelizmente muitos barcos não cumprem esta tentativa, é incalculável o número de vítimas nos naufrágios. Nos últimos meses se viu o trágico ato na entrada de imigrantes desde a fronteira terrestre entre Marrocos e Espanha (cidade de Ceuta), a maioria era menor de idade e muitos continuam espalhados pelas ruas desta cidade, sem abrigo, buscando algum meio de vida. Por último uma nova onda migratória está acontecendo com milhares de afegãos que fogem da perseguição do Talibã e buscam refúgio em outros países. No Brasil essa também é uma realidade, venezuelanos, haitianos, sírios são alguns exemplos.

Diante destes três desafios qual resposta daremos como igreja? A partir da leitura deste texto não poderá ser: “— Não sabíamos!(esperamos que muitos possam ler e não dar esta resposta). Fechar os olhos e dizer: “— Isto não acontece!” também não podemos, porque o clamor da diáspora chega através dos telejornais (estamos orando para que o Espírito Santo siga quebrantando nossos corações). Mas antes de dizermos sim e atuarmos, talvez a resposta seja: “— Não somos capazes!”, consideramos ser esta uma verdadeira e boa resposta, o próprio Senhor Jesus disse: “...sem mim vocês não podem fazer nada” (João 15:5) e a partir dela poderemos atuar de verdade, porque sabemos que com Ele podemos fazer todas as coisas (Fil. 4:13) e isto inclui cumprir a Missão!

Borá lá atuarmos como os primeiros discípulos? Bora lá encararmos estes 3 desafios de frente, de mãos dadas como igreja e com o Senhor? Lembremos que os discípulos eram doze e o Evangelho chegou até nós... quanto mais Deus poderá nos usar como igreja hoje!


- - - - -


Autor: Enoque Ribeiro é casado e junto com sua família servem desde o ano 2002 no Norte da África. Missionário transcultural através da Missão Sepal www.sepal.org.br é fundador do projeto ‘Eu Oro pelo Norte da África’ - www.euoropna.com, também é Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Aconselhamento Cristão Contemporâneo e Radialismo.

21 visualizações0 comentário