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Saúde psicológica do missionário: precisamos falar sobre isso!

Atualizado: Fev 20

“Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal”. (2 Co. 4:7-11)

O envio do missionário e sua família para um contexto transcultural é um processo que exige muita preparação e estudo. Ainda assim, é impossível preparar o missionário plenamente para todos os desafios que surgirão no campo. A imersão em uma nova cultura, somada a inúmeros fatores, como a saudade de casa, demandas ministeriais e convivência com equipe e população nativa, pode gerar impactos na saúde emocional do missionário e de sua família. Esses impactos são reais e não podem ser ignorados.

Infelizmente, tornou-se comum no meio cristão elevar pastores e missionários ao patamar de inatingíveis, como se não fossem vulneráveis a nada. Isso não é verdade. A Bíblia indica isso, de forma categórica, por meio de diversos exemplos de líderes que sofreram o impacto de encarar grandes desafios e tentações: Davi, Elias, Moisés, Paulo... E a lista continua. Diante disso, precisamos entender que, como vasos de barro, nossa saúde psicológica não é imune às dificuldades, e isso não necessariamente se relaciona com nossa saúde espiritual, ou seja, a qualidade do nosso relacionamento com Deus.


Uma pesquisa recente investigou a presença de transtornos emocionais em uma população de missionários que atuam em contexto transcultural (Morilha, 2019). Participaram da pesquisa 327 missionários, que preencheram testes e escalas que avaliaram fatores de estresse, depressão, ansiedade, entre outros. Os resultados da pesquisa indicaram que os missionários são uma população de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais comuns, como ansiedade, estresse e depressão.


Como exemplo, uma das medidas, que avaliou componentes subjetivos relacionados à ansiedade, apontou uma prevalência de ansiedade moderada ou grave para 35,5% dos missionários entrevistados. Esse número é alarmante, e as outras medidas não indicaram resultados muito diferentes. Dentre os aspectos relacionados a esses problemas, estão:


  • Problemas de relacionamento (equipe, nativos, agência missionária, igreja local, etc.)

  • Demandas do ministério (demandas da agência missionária ou igreja, sentimento de que não está tendo sucesso, sentimento de que é o único que está fazendo o trabalho, sentimento de desamparo no campo, demandas além do que o missionário julga que é capaz, exigência de disponibilidade 24 horas por dia, falta de privacidade)

  • Lutas espirituais (batalha espiritual, tempo insuficiente de estudo da Bíblia e oração)


O que fazer?

Dados como esse precisam alertar não apenas missionários, mas todo o corpo de Cristo de que a atenção à saúde emocional é essencial para todos nós. O primeiro passo, então, é reconhecer nossa condição de vasos de barro, ou seja, de servos que são falíveis, vulneráveis e necessitados de cuidado. Missionários e pastores não são exceção!


Existem diversas medidas chamadas protetivas, ou seja, atitudes que precisam ser tomadas para prevenir e tratar a ocorrência de transtornos mentais. Isso serve para todos, inclusive pastores e missionários. Entre essas medidas protetivas estão: praticar atividades físicas; ter uma alimentação balanceada; respeitar dias de folga e descanso; ter tempo de qualidade com amigos, cônjuge e familiares; ter tempo de lazer; ter um tempo a sós para oração e leitura da Palavra; contar com o apoio emocional e espiritual de discipuladores e mentores; entre outras. Embora saibamos que são atitudes importantes, muitas vezes são deixadas de lado quando priorizamos as demandas do dia a dia.


Além disso, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico pode, muitas vezes, ser necessário. Buscar atendimento especializado é uma medida de proteção muito importante, mas ainda é tabu para muitos. Um acompanhamento psicológico serve não apenas como um lugar de “desabafo”, mas para o desenvolvimento de habilidades sociais necessárias para viver melhor. Entendemos que Deus tem levantado profissionais para exercer o cuidado emocional do corpo de Cristo. Sim, Deus pode usar a Psiquiatria e a Psicologia para Sua Glória e edificação do seu povo!


Quais desafios você tem enfrentado em sua vida pessoal, profissional e ministerial hoje? Qual o impacto que tudo isso tem exercido em sua saúde emocional? Que cuidados você tem tomado com sua saúde?


Busque apoio! Ore pelo corpo de Cristo. Ore pela saúde dos pastores. Ore pela saúde dos missionários.


Referência

Morilha, A. (2019). A prevalência de sintomas de transtornos psiquiátricos em missionários evangélicos/protestantes transculturais brasileiros. Tese de Doutorado. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-13012020-100116/publico/AbnerMorilha.pdf.


Artigo por Maria Fernanda Monteiro



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